Em Cristo, toda sorte de benção

Efésios 1.3-4
O Apóstolo Paulo, como sabemos, teve uma conversão diferente dos doze apóstolos (o décimo segundo, sendo Matias, escolhido depois da ascensão de Jesus, preservando as regras para ser testemunha ocular dos atos de Jesus. At. 1.15-26), pois ele não conviveu com Jesus, quando este em carne, ministrou nesta terra; pelo contrário, em carne, Paulo nunca viu Jesus, mas o viu e aprendeu D’ele sobrenaturalmente, ao que parece, no tempo em que esteve no deserto da Arábia (Gl 1.11-17), Paulo não era um desconhecedor da Palavra de Deus, pelo contrário, era profundo conhecedor do Antigo Testamento, foi discípulo de Gamaliel (At 22.3), um dos maiores mestres da lei, contemporâneo de Jesus.
Quando começa a ministrar e escrever suas cartas o Apóstolo Paulo o faz de maneira clara e incisiva. Revelando a Jesus como o mistério escondido no Antigo Testamento, leva-nos a compreender textos antes incompreensíveis, dá-nos interpretações novas e fundamentadas, mostrando a realidade da pré-existência do Projeto de Deus para a restauração do ser humano à comunhão com Deus, sim a restauração de todos os seres humanos, independentes de sua origem racial; revela-nos que este Projeto de Deus é JESUS CRISTO!
Todas as coisas estão firmadas N’ele, todas as coisas foram feitas por Ele e N’ele convergem as dimensões espiritual e física, ou seja, Céu e Terra encontram em Jesus o seu destino final.
No Texto que lemos, ele nos mostra que em Cristo já fomos abençoados por Deus e elenca algumas destas bênçãos, sobre as quais meditaremos agora e, continua por toda a carta aos efésios revelando-nos CRISTO como o mistério de Deus; atendo-nos ao nosso texto descobrimos as seguintes bênçãos doadas por Deus a nós em Cristo Jesus:
Primeiro: Ele Nos Escolheu, esta é uma afirmação tremenda, pois, nos revela que a ação foi realizada por Deus, não fomos nós que o escolhemos, foi Ele que nos escolheu, a iniciativa é D’ele. Importante também é notar o momento em que isto aconteceu, não foi depois de demonstrarmos alguma atitude que sinalasse nosso desejo de sermos bons, ou de praticarmos alguma obra de justiça que nos identificasse com ele, mas foi Antes da Fundação do Mundo. Aleluia! Como isto é maravilhoso! Antes de qualquer atitude, antes de qualquer criação, antes de qualquer opção: DEUS NOS ESCOLHEU, depois projetou a criação, previu a queda, projetou a restauração e a realizou em Seu Filho Amado. Ponto final: está concluída, está consumada a escolha ou eleição! Todavia, esta escolha não é alienada, não é uma escolha pela escolha, mas é uma escolha para uma finalidade e a finalidade é:
Ser Santos e Irrepreensíveis. Precisamos definir estes termos:
Santo, separado e transformado para o uso de Deus. Separado, tirado de entre, ou seja, um povo diferente da totalidade da humanidade, tirado para fora dos costumes, das atitudes, do pensamento, da prática e da fé geral. Um povo com costumes, atitudes, pensamentos, praticas e fé centradas em Deus, naquilo que ele nos ensina em sua Palavra.
Irrepreensível, que não merece repreensão, perfeito, correto. Um povo que anda em retidão, que pratica a Palavra de Deus, um povo que não merece ser repreendido, pois suas atitudes e pensamentos são corretos, um povo perfeito, foi pra isso que fomos escolhidos por Deus antes da fundação do mundo!
Vivemos no século XXI a era da pós-modernidade, onde o relativismo tem se tornado absoluto e o alvo de quase todos neste mundo, ou seja, tudo é relativo. A verdade é relativa, aquilo que é a verdade pra você, necessariamente não é a verdade para mim, isto é, não existe absolutos, tudo deve ser interpretado de acordo ou relativamente com o contexto, etc. Infelizmente isto tem se estabelecido em meio ao povo que se diz escolhido por Deus, temos testemunhado uma variedade de atitudes que no passado recente seriam consideradas pecaminosas se estabelecendo como “normais”, por causa do contexto em que vivemos, dizem os defensores da relatividade! Pecado já não é tão fácil de se definir, em última análise, pecado deixou de existir como absoluto, pois é relativo. Assim o que pra você é pecado, não o é para mim, mas se não é pecado pra você consequentemente não o é para mim. Outro grupo justifica as atitudes, os pensamentos e os costumes disformes à Palavra de Deus, pelo fato de sermos humanos, assim propensos ao pecado, pois a natureza humana é pecaminosa, não foi Jesus que disse que a carne era fraca? Perguntam eles.
Todavia, o que o Apóstolo Paulo nos ensina é: Fomos escolhidos por Deus antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis. Também nos ensina que o pecado não tem poder sobre nós (Rm 6.6-14) e que podemos escolher não pecar, podemos viver uma vida de santificação, ou seja, separação das atitudes do velho homem. O Apóstolo João ratifica as palavras de Paulo dizendo que o pecado não pode fazer parte natural de nossa vida, que deve ser apenas um acidente esporádico, veja o que ele diz: Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. (I Jo 2.1), parafraseando podemos dizer: Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, não porque vocês fatalmente pecarão, não porque vocês obrigatoriamente, por causa de sua natureza humana, cometerão pecados, pelo contrário, escrevo porque vocês podem viver sem pecar, todavia, se por um acidente ou um acaso, ou um descuido, alguém pecar, temos um advogado para nos reconciliar com Deus, Jesus Cristo, o Justo! (paráfrase minha). O que o Apóstolo João diz efetivamente é: Não pequeis! Vocês não devem pecar, devem viver separados, santos e irrepreensíveis! Isto não significa que quando alguém comete um pecado é porque não nasceu de novo, não foi escolhido por Deus, claro que não, pode acontecer um acidente no percurso, um descuido, a fraqueza diante da tentação, a não dependência da GRAÇA CAPACITADORA, tudo isto nos fragilizará ante ao pecado e fatalmente se andarmos por estes caminhos tropeçaremos e pecaremos, todavia, não precisamos ficar desesperados quando isto acontecer, não precisamos arder em remorsos, nos condenando ou martirizando-nos, não precisamos voltar às velhas praticas acreditando que agora não há mais solução, que estávamos enganados em relação à escolha de Deus, NÃO!
O mesmo Deus que nos escolheu antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis, providenciou o meio de restauração caso fracassássemos na caminhada em busca da santidade e perfeição. Fez isso ainda antes que o mundo existisse. Deus não foi pego de surpresa quando o homem pecou. Deus não é pego desprevenido quando pecamos, pelo contrário, ela já sabia. E, por isso, providenciou JESUS, que não apenas nos reconcilia com ele ao nascermos de novo, mas por toda nossa existência atua diante D’ele como nosso advogado, nosso intercessor, que apresenta o seu sacrifício, suficiente por toda a eternidade, para perdoar-nos e novamente reconciliar-nos com o Pai. Diante de tudo o que já vimos sobre a nossa escolha por Deus, resta-nos ainda saber que tudo isto foi feito em AMOR, aleluia! Tudo isto foi feito sem exigência de contrapartida de nossa parte. Para que esta escolha se torne efetiva em nossa vida não existe pré-condição nenhuma estabelecida que exija de nossa parte, sacrifício, pagamento, atitude simpática ou servil, não, a escolha foi feita por amor, amor que se doa, amor que se entrega, amor que se sacrifica (1 Co 4.4-8) o verdadeiro amor divino! A única exigência é, podemos dizer, a aceitação deste amor, desta escolha. O resto é com Deus! Ele nos separa, nos transforma, nos capacita, nos esforça! Ele inicia, Ele realiza! Aleluia!
(para que não se torne cansativo e improdutivo, dividiremos o texto em quatro partes, que serão postadas numa sequência)
Pr Coura

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