Valores éticos independem da religiosidade!

Eu nasci porque minha mãe converteu-se ao evangelho e depois de muito esperar e sofrer pelos abortos espontâneos, leu a história de Ana e de como conseguira de YHWH que seu ventre fosse sarado e ela pudesse desfrutar da alegria de ser mãe!

Em sua simplicidade, sem conhecimento profundo da Bíblia, sem conhecimento de conceitos teológicos, aquela mulher que durante sua infância e mocidade foi Católica Romana convicta, que era congregada mariana, que vivia rezando terços e mais terços e que depois de 3 anos de casamento, frustrada por não conseguir gerar um filho, encontrou um dia jogado em uma rua o Evangelho Segundo João, um pequeno livreto que era usado para evangelismo nos anos 50, em casa foi informada pela cunhada que tinha um livro preto guardado que em seus escritos tinha aquele mesmo livreto, mas o livro tinha sido condenado pelo Padre que tinha dito que era coisa do diabo e que não tinha sido jogado porque era uma lembrança da sogra que tinha dado a seu marido. Minha mãe, dona Maria, disse que o livro não podia ser do diabo, pois tinha o nome de seu santo de devoção: São João Batista; passou a ler com afinco aquele livro preto (Bíblia) e converteu-se ao evangelho, logo em seguida seu esposo também se converteu e ambos foram batizados pelo Missionário Inglês Henry Jefferson, da Chapel Of London no Brasil.

Durante mais cinco anos a saga de engravidar e abortar espontaneamente continuou até aquele dia em que ela encontrou na Bíblia a história de Ana. Decidiu crer que se ela também orasse a Deus e pedisse um filho para ser entregue ao Senhor para ser Pastor, Deus a responderia, assim fez e realmente Deus a respondeu, no dia 12 de Julho de 1960, eu nasci! E assim como Deus fez a Ana, fez também a minha mãe que teve mais dois filhos homens e uma menina, assim a estéril foi mãe de 4 filhos que cresceram saudáveis e ainda vivem!

Eu cresci sabendo que o meu destino era ser Pastor Evangélico, minha infância foi na Assembleia de Deus e minha mocidade e onde eu me batizei foi na Igreja Avivamento Bíblico, de origem Metodista, mas pentecostal. Aos 17 anos me afastei totalmente da Igreja, voltei por um pouco e aos 18 definitivamente fui para o mundo, onde permaneci até os 26 anos, sempre tentando voltar à igreja, mas sem sucesso.

Portanto, não conheço o Catolicismo Romano, não tenho origem no catolicismo, mas tenho muitos amigos que são católicos romanos, muitos deles os encontrei durante o tempo em que estava no exercito brasileiro, onde permaneci por oito anos. Ainda hoje mantenho contato com vários amigos daquela época, eles são testemunhas oculares da vida desregrada e louca que eu vivia, o quanto bebia e me envolvia em prostituição, mas são também testemunha de que sempre falei que um dia seria pastor, claro que nenhum deles acreditava, (hehehehe).

Em meus amigos virtuais no facebook tenho dois amigos da época de caserna, o Meira e o Balena. O Balena é hoje ministro leigo da Igreja Católica Romana e temos algumas conversas frutíferas via facebook muitas vezes. Respeito suas ideias e sua teologia e ele respeita as minhas ideias e a minha teologia, embora não concordemos muito um com o outro, mas mantemos um relacionamento amigável e respeitoso.

Aprendi em minha infância evangélica, (naquele tempo era difícil ser “crente”, erámos chamados de Bíblias e outros apelidos menos decorosos), alguns valores éticos que carrego pela vida afora: Humildade, desapego a coisas terrenas, respeito ao próximo, fidelidade ao meu compromisso com Deus e acima de tudo aprendi que o ministério pastoral é um serviço à comunidade cristã, não uma fonte de renda e riqueza, também aprendi a dar prioridade aos pobres e viver de maneira que o Nome de Jesus seja glorificado.

Ontem, 28 de Julho de 2013, depois do culto na igreja onde pastoreio, estava assistindo ao Fantástico enquanto aguardava o jantar e fui surpreendido com o Papa Francisco dando uma entrevista na qual ele foi extremamente simpático e moderado em seu falar.

De modo algum concordo com várias teologias Católicas Romanas, mas o que ouvi do Supremo Líder da Igreja Católica Apostólica Romana me fez admirar profundamente este homem.

Ele não tentou minimizar de maneira nenhuma as perguntas delicadas como a questão da pedofilia e desvio de conduta de sacerdotes no vaticano, simplesmente e com tranquilidade disse que são mais os que não cometem crimes que os que os cometem e que, uma árvore que cai faz mais barulho que uma floresta que cresce, mas que os que erraram devem ser punidos de alguma maneira. Condenou a distância entre o discurso e a pratica de vários sacerdotes, e fez uma análise que os ufanistas evangélicos detestarão a respeito da fuga de católicos para o meio evangélico: “Muitos vão escutar o pastor, porque a igreja católica não se faz presente com seu sacerdote, então querem ouvir de Deus e vão ao pastor, respeitam o pastor, amam o pastor, mas dentro dos armários estão seus símbolos de fé católica romana”!

Claro que temos muitas conversões ao cristianismo evangélico, conversões genuínas e sem vacilo ou recuos. Mas, é inegável o que ele disse! Muitos estão se declarando “crentes” mas as práticas continuam as mesmas anteriores, aliás, hoje, infelizmente, existem temas que estão praticamente esquecidos ou proibidos em muitos púlpitos para evitar o confronto e a perda de fieis!

Bem, de tudo isto o que ficou para mim foi: O Papa Francisco é de fato um homem simples, com hábitos simples e que fala com singeleza sobre seu modo de viver, como quando afirmou que preferiu não morar no Apartamento Papal, pois não queria ficar só, pois teria que gastar muito com psicólogos, pois ele gosta de estar no meio do povo.

Admiro o homem que hoje é líder da Igreja Católica Apostólica Romana.

Eu, Paulo Coura, continuo firme em minha fé evangélica, continuo firme nos valores a mim ensinados pelos meus pais e pelos pastores que Deus usou para me ensinarem a Palavra de Deus.

Continuo amigo dos amigos e orando para que Deus em sua infinita misericórdia e amor alcance cada vez mais meus amigos para o seu reino.

Continuo respeitando e honrando os seres humanos independente de sua raça, sexo, religião ou de sua opção de sexualidade, mas acima de tudo entendendo que Deus exige que tenhamos limites e praticas coerentes com sua Palavra.

Continuo crendo que só há um caminho para Deus, Jesus Cristo, e que para tornar-se filho de Deus é preciso nascer de novo!

Continuo crendo que a Bíblia é a Palavra de Deus e que ela é a minha única regra imutável de fé e pratica!

Que Deus nos leve a cada dia mais perto de sua verdade e que possamos desfrutar da intimidade de Nosso Pai Celestial!

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