De Quem é a Culpa?

Pr. Paulo Coura

Sempre que as coisas não acontecem como planejadas por nós, procuramos um culpado para que isto tenha acontecido.

No Futebol, em um país como o nosso, onde existe um grande fanatismo e não apenas dos simples mortais, mas até mesmo a mídia, os grandes apresentadores elegem um herói na vitória e um culpado na derrota!

Nas copas do mundo de 1982, 1990, 1998, 2006, 2010 e 2014 fomos derrotados e como sempre foram crucificados alguns jogadores como os responsáveis pela derrota. Em 1982 jogaram a culpa no Toninho Cerezo, em 1990 a culpa foi do Dunga, em 1998 foi a fatalidade que aconteceu com o Ronaldinho, em 2006 o culpado foi o Roberto Carlos, em 2010 tivemos mais que um culpado: Felipe Melo e Júlio Cesar foram os exponentes da culpa pela derrota juntamente com o treinador Dunga e agora a culpa foi do Felipão, Parreira e menos comentada mas imputada ao Davi Luiz.

Não é minha intensão discutir ou mesmo tentar explicar os motivos que nos levam a eleger em caso de fracasso um culpado. Aliás, isto acontece desde o Éden. Deus, certa tarde vem visitar ao casal Adão e Eva no paraíso e eles estão ocultos, depois de algum tempo se apresentam diante de Deus e quando interrogado Adão diz que se escondeu porque estava nu e envergonhado. Deus perguntou-lhe se tinha comido da fruta proibida e aí começou esta síndrome de se apontar o culpado pelo fracasso, Adão apontou sua mulher, Eva apontou a serpente e assim vem sendo feito desde os primórdios da humanidade.

Algumas conclusões aparecem neste contexto: 1ª. Nós brasileiros não valorizamos o trabalho em equipe. Falamos em ser uma equipe, falamos da vantagem de se trabalhar em equipe, mas sempre procuramos apontar o “astro” da equipe, aquele que receberá todas as glórias no caso de sermos bem sucedidos e também, depois que fracassamos, procuramos desesperadamente alguém para assumir a culpa no lugar de todos (um bode expiatório). 2ª. Não entendemos nada sobre o papel do líder. Achamos que o verdadeiro líder é aquele que aceita a derrota, assume o fracasso e vem diante de todos se desculpar pelo fracasso do trabalho, quando o verdadeiro líder é aquele que assume a responsabilidade pelo fracasso, mas aponta e enumera as boas coisas acontecidas durante o esforço coletivo. 3ª. Para nós o que vale é o primeiro lugar, existe um ditado que diz: “O segundo lugar é o primeiro dos derrotados!” Não aceitamos que outros podem ser melhores que nossa equipe, que os outros aprenderam a trabalhar em equipe e que fizeram um trabalho melhor que o nosso e, que isso não anula o esforço e trabalho feito pela nossa equipe, por mais humilhante que tenha sido a derrota.

Bem, quem é o culpado? Todos são responsáveis pela vitória ou pelo fracasso, cabe a cada um a parcela correspondente. O importante é aprendermos a lição e nos prepararmos melhor para a próxima batalha!

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