COMUNHÃO

O Salmo 133 inicia-se assim: “Oh! Quão bom e com suave é que os irmãos vivam em união”, um desejo expresso que deve normatizar a convivência entre os povos, principalmente o povo que se diz “Cristão”. O dicionário Aurélio Online define comunhão como: “Participação em comum; Uniformidade (em ideias, opiniões, etc.)”.
Ao estudarmos a Bíblia descobrimos que Deus foi o autor desta ideia de comunhão ou comunidade, pois fez um casal e deu a este casal a capacidade para se multiplicar e transformar-se em uma grande família. É comum ouvirmos a frase: “A Família é a célula ‘Mater’ da Sociedade”. Nem mesmo o pecado que tirou o homem do paraíso foi capaz de matar esta ideia de sociedade, quando Caim matou Abel e fugiu, levou consigo sua esposa e logo tiveram filhos, constituiu uma família, depois uma sociedade e por fim construíram a primeira cidade.
Ao longo da história da humanidade sempre houve grupos étnicos, ou mesmo supra étnicos, que viveram em uma região específica e formaram uma cultura especifica! Sempre houve história de amor e ódio, de paz e guerra, mas sempre grupos se reuniam em torno de uma cultura, um deus ou uma terra!
Deus ao chamar Abrão e desafia-lo a deixar sua terra e parentela, deu a ele a promessa de transformar sua descendência em uma grande e poderosa nação, Abrão tem seu nome mudado para Abraão (Pai de Multidões) e cerca de 600 anos aproximadamente depois os descendentes de Abraão invadem e conquistam Canaã transformando-a em sua pátria, com todos os ingredientes necessários para isso: Povo, Terra, Constituição e Governo! Israel é agora uma nação poderosa, guerreira e vitoriosa, mas Deus tinha um projeto específico para esta nação que era ser o meio pelo qual Ele, Deus, seria manifesto e conhecido de todas as nações, para isso instituiu leis de adoração e regras de condutas para que o povo tivesse a sua proteção e assim testemunhasse a existência de um Deus poderoso e seu relacionamento com os seres humanos. Israel falhou terrivelmente nesta missão, logo depois de ter conquistado o território cananeu, iniciou-se um processo de degradação do relacionamento com YHWH, que culminou na derrocada total e cativeiro sob os Babilônicos e, embora Israel tenha voltado ao seu território vive sempre sob ameaça de extinção e não consegue paz perene com seus vizinhos!
Como Israel falhou em sua função de enviados de Deus para “manifesta-lo entre as nações”, Deus enviou seu único filho, fazendo-o nascer de uma virgem, fazendo-o viver nesta terra com as limitações e tentações de um homem comum (Todavia, Jesus por não ter a natureza pecaminosa que a humanidade herda de Adão, pois não era fruto da semente de um homem, mas sim da ação sobrenatural do Espírito Santo que fecundou o óvulo de Maria com a Natureza de Deus filho esvaziado, possuindo assim, Jesus, a Natureza humana anterior à queda!), Levando-o a assumir toda a culpa do pecado da humanidade e crucificando-o no Monte Calvário, para pagar o preço da condenação da natureza rebelde, que morrendo inocente (sem cometer nenhum pecado), mas como substituto ou representante da humanidade em uma Nova Aliança, transforma agora o homem pecador em perdoado e gera nele a identidade de “Filho de Deus”, passando assim Jesus de Unigênito para Primogênito; sendo bastante para que isso se efetive na vida do homem apenas a resposta ao chamado divino para a salvação através da fé em Cristo Jesus (não discuto aqui as questões de predestinação, eleição, justificação, redenção, por não ser este o objetivo deste artigo).
Partindo deste princípio, todos aqueles que recebem a Jesus como Senhor tornam-se uma família, a família de Deus. Embora, sejamos de etnias diferentes, culturas diferentes e territórios diferentes, somos todos irmãos, somos todos da mesma família!
O Cristianismo atual é subdividido em denominações, congregações, comunidades, igrejas, etc. mas, se é verdadeiro, então é uma mesma família!
Aqui em Naviraí-MS, cidade em que vivo, temos várias “igrejas” evangélicas, nós pertencemos à Igreja Presbiteriana Renovada de Naviraí, uma comunidade de cerca de 150 pessoas. Temos uma Cultura Evangélica que nos foi legada pelos nossos antepassados, temos uma ética que deve ser bíblica, temos interesses em comum, temos ideias em comum e acima de tudo temos objetivos em comum, portanto, está estabelecida entre nós a comunhão! Sim, está implícita nas regras de condutas desta comunidade a comunhão entre os irmãos, sem uma “hierarquia vertical”, mas com funções, direitos e deveres definidos e respeitados.
Seria maravilhoso se bastasse apenas a teoria, pois aí estaríamos corretos, fazendo aquilo para o que fomos chamados por Deus. Mas, a teoria precisa se tornar a prática do dia a dia, não basta dizer: Te amo, meu irmão! É preciso demonstrar amor através das atitudes e gestos!
Reunirmo-nos em grupos pequenos para estabelecer um nível mais profundo de intimidade e relacionamento, depois reunir o pequenos grupos em uma grande comunidade com relacionamento, sonhos, objetivos e métodos semelhantes é o nosso alvo. É uma ordem de Cristo e nós devemos obedecer, para isso contamos com a sincera participação de nosso povo e com a ajuda do Espírito Santo de Deus!
Quando nos reunimos em um pequeno grupo, de dez a quinze pessoas, temos maior possibilidade de inteiração, o relacionamento se torna mais efetivo e podemos nos ajudar com mais efetividade, pois passamos a conhecer melhor a cada dia o nosso companheiro de grupo. Um pequeno grupo não deve reunir-se apenas para “estudar a bíblia” transformando-se assim, rapidamente, em uma mini congregação! O objetivo do pequeno grupo é gerar comunhão! Assim as reuniões devem ser para assuntos variados do dia a dia e de como relacionarmos isso com os ensinamentos da Palavra de Deus; devemos usar algum tempo da reunião do PG para testemunharmos as bênçãos de Deus em nosso dia a dia!
Depois de algum tempo em que nos reunimos no PG, já geramos uma cumplicidade e relacionamento razoável, então, começamos o trabalho de acrescer ao pequeno grupo novas vidas, para que contagiadas pelo nosso relacionamento interpessoal conheçam a Jesus como o Senhor de suas vidas. Quando o número de pessoas neste PG estiver elevado, ou seja, tornando impraticável nosso objetivo para o PG, então está na hora de multiplicarmos, transformarmos em dois novos PGs. Com amor e respeito separa-se algumas pessoas que irão formar um novo PG sob uma nova orientação e reunindo em um novo lugar.
Se já temos mais que um PG, precisamos de tempo para reunir todos os PGs ao mesmo tempo em um local, que pode e deve ser o templo, para uma celebração ao Senhor em comunidade! Podemos usar o culto do domingo à noite, quando normalmente se reúne a igreja local para realizarmos esta celebração!
Como já somos uma igreja local estabelecida com um elevado número de membros, temos que fazer a transição de maneira tranquila e acima de tudo respeitosa, para não gerarmos mal entendimento que produzirá divisão na igreja. Nem todos os membros se adaptarão ao sistema de PGs, mas mesmo os que não se adaptarem e não fizerem parte de um PG são membros efetivos da igreja local e não podem ser discriminados, pelo contrário aceitos em amor!
Iniciamos este ano o processo de transição, Estamos trabalhando com um PG piloto. Um grupo de irmãos estão se reunindo em um PG na casa do Pastor Paulo Coura, todas as quintas feiras, às 19.30hs e estão estudando a Palavra, se relacionando e se preparando para iniciar novos PGs no segundo semestre.
Tivemos uma experiência maravilhosa de comunhão quando da realização do I Torneio de Futebol das IPRs do Cone Sul do MS, na cidade de Dourados-MS, onde reuniram-se 6 igrejas locais (2ª Dourados, Itaporã, Ponta Porã, Maracaju, Amambai e Naviraí), fomos surpreendidos com a reposta da Comunidade Renovada de Naviraí, pois viajamos em uma caravana com cerca de 80 pessoas, fomos em um ônibus, uma Van e cinco automóveis. Passamos todo um dia (saímos às 6h e chegamos às 20.30h) como uma grande família: Conversamos, jogamos futebol (Naviraí ficou em 3º na competição), comemos, brincamos muito e oramos todos juntos! Foi maravilhoso! Nosso grupo unido, sem nenhum incidente. Já está marcado para setembro outro torneio e comunhão das igrejas, o que trará frutos inestimáveis para nossa denominação no Cone Sul do Mato Grosso do Sul!
Prossigamos nesta caminhada em busca da comunhão plena entre os irmãos, assim receberemos do Senhor as bênçãos descritas no salmo 133 “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.

(Pr. Paulo Coura – Naviraí-MS, 14 de Maio de 2015)

Anúncios