O Cristão no Século XXI

Século XXI quem diria!

Por mais que se negue, ninguém do meio cristão esperava que fôssemos viver até este século, esperávamos que no mais tardasse no ano 2.000 Cristo voltaria e a igreja fosse arrebatada. Mas, não aconteceu e estamos já há 15 anos vivendo um tempo que não esperávamos, e estes têm sido anos espantosos para o cristianismo e sua liderança!

Nas décadas finais do século XX presenciamos mudanças e mais mudanças na cultura, no comportamento, nos relacionamentos e até mesmo nas práticas cristãs. A Moral Judaico-cristã que havia desde sempre orientado o comportamento dos cristãos foi atacada com todos os tipos de armas e assim iniciou-se um desmoronar constante e intenso dos costumes em todo o mundo.

Estamos vivendo neste primeiro quinto do século XXI um período de pós-pós-modernidade, ou seja, ideias que eram consideradas pós-modernas, que para nós os cristãos já estavam além do que podíamos suportar, já estão ultrapassadas e se avançou e muito! Estamos vivendo um tempo de relativismo moral e em todas as áreas. O hedonismo que criticávamos e achávamos insuportável para os cristãos, hoje é a regra geral na maior parte do cristianismo. A fé foi relativizada, a verdade se tornou relativa, as práticas morais não têm mais parâmetros de certo ou errado.

Mundialmente toda a ética cristã está sendo questionada e combatida. Vem sendo implantada lenta, progressiva e efetivamente uma ideologia anticristã e para isso o livro texto do cristianismo, a Bíblia, está sofrendo um fortíssimo ataque como nunca antes. Tivemos ideologias que procurava negar o texto bíblico nos séculos anteriores, humanismo, positivismo, etc., mas nenhuma delas alcançou tanto êxito como as de agora.

Seguindo a teoria de Antônio Gramsci de que nenhum projeto de transformação social cumprirá seu objetivo se não vier acoplado a uma profunda reforma intelectual e moral (GRAMSCI, A. – Cadernos do Cárcere – Volume 1, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1999), os idealizadores deste projeto de nova era, vem usando a estratégia de minar a moral e a consciência dos seres humanos desde a mais tenra idade, através da formação intelectual já comprometida com ética, discurso e práxis de uma moral liberal e relativizada!

Darwinismo, Comunismo, Socialismo, Liberalismo teológico, a chamada ideologia de gênero, etc., têm conseguido infiltrar no cristianismo e se tornarem aceitas por grande parte dos que se dizem cristãos, muitos líderes cristãos se dobram diante das ameaças e ataques destas ideologias e as tem defendido e procurando uma interpretação distorcida e fora de contexto, têm pregado de modo a acomodar o povo às mesmas!

Como deve viver o Cristão no século XXI? A pergunta é necessária para que se possa solucionar o grande enigma deste século!

Primeiro temos que definir o que é ser cristão. Segundo nos informa a Bíblia no livro de Atos os discípulos de cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez na cidade de Antioquia (At 11.26). Então ser Cristão é ser discípulo de Cristo, de Jesus de Nazaré! Ser discípulo é ser aluno, aprendiz! Chegamos à conclusão de que ser cristão é: Ser um seguidor e aprendiz de Jesus de Nazaré, através do ensino dos apóstolos registrados na Bíblia!

Para entendermos o cristianismo precisamos voltar aos primórdios bíblicos sobre o relacionamento de Deus, o criador, com a humanidade, a criação. Na verdade precisamos ir ainda mais atrás, precisamos ir até o início da criação!

Deus o ser não criado e criador de todas as coisas decidiu criar todas as coisas existentes e determinar um curso de vida para todas elas, visando no final do processo gerar um povo especial para viverem eternamente com ele em uma nova criação!

Primeiro Deus criou o universo, fez um exercito de anjos, dando a eles o livre-arbítrio para livremente o adorarem. Um belo dia um Querubim especialmente criado para chefiar o Éden e comandar a adoração, rebelou-se por se achar em condições de vencer o criador e tomar seu lugar, junto a ele rebelaram-se a terça parte da criação angélica. Derrotados foram lançados no abismo para aguardarem a consumação do projeto divino.

Depois Deus reordena as coisas no universo pela sua palavra e prepara o meio ambiente para a criatura que vai fazer com suas próprias mãos e seguindo a sua própria imagem como modelo. As águas do universo são agrupadas em dois volumes, um acima no firmamento e outro em áreas distribuídas pela face da terra, os astros celestes são reordenados em seus lugares, as florestas brotam, os animais terrestres e aquáticos são criados e as aves também. Como coroa da criação Deus faz o homem, dá-lhe capacidade biológica de reproduzir-se, livre arbítrio para tomar decisões e o coloca como governador da criação deste planeta.

Uma amizade profunda inicia-se entre Deus e o ser humano, todos os dias se encontram para um momento de prosa e comunhão, até que um dia ao vir para o encontro Deus não encontra o homem no lugar combinado. O homem está escondido  e com medo da presença de Deus, pois tinha cedido á tentação de satanás através da serpente e comera do fruto proibido. Deus trata com o casal julgando e condenando o pecado e determinando consequências para toda a criação. Mas, Deus não quer ficar sem o relacionamento com o homem e restaura o direito de estar na presença do altíssimo, todavia, agora fora do Éden o homem deve lavrar a terra e dela retirar o seu sustento!

Da expulsão do casal do Éden até a crucificação e ressurreição de Jesus Deus se relaciona com o ser humano de vários modos, primeiro quando a corrupção enche a medida, Ele destrói toda a humanidade, deixando apenas uma família composta por oito pessoas para reiniciar seu relacionamento com a humanidade. Com o passar dos anos e o aumento da população da humanidade, a natureza humana caída se revela em rebeldia contra o criador. Deus faz com que a linguagem humana que até ali era única se transtorne e tornem-se múltiplos dialetos e idiomas, causando uma confusão tremenda.

Deus decide criar um povo separado para que este povo seja seu representante diante da humanidade. Chama Abrão, um homem de 70 anos, casado com Sarai, uma mulher de 60 anos e estéril, ordena-lhe que saia da sua terra, de sua casa e do meio de sua parentela e vá para uma terra que lhe mostrará posteriormente e, promete que lhe fará uma grande nação! Abrão acredita em Deus e vai peregrinar à espera do cumprimento da promessa. Depois de 25 anos nasce Isaque, de um homem de 100 anos e uma mulher de 90 anos, Abrão e Sarai tem seus nomes mudados para Abraão e Sara. Muitos anos depois, a descendência de Abraão está escravizada pelo Faraó no Egito, através de Moisés Deus liberta o povo, o conduz pelo deserto durante 40 anos e entrega a eles a terra que prometeu a Abraão, transformando uma família nômade em uma poderosa nação!

Israel deveria ser uma nação teocrática, ou seja, dirigida pelo próprio Deus através de seus escolhidos, mas logo o povo quis ser como as nações em volta de si, queriam um rei humano a quem pudessem ver e seguir. Deus deu a eles um rei segundo o coração do povo, Saul, que logo pecou e ficou separado de Deus, embora seu reinado tenha se estendido por aproximadamente 40 anos, na sequência Deus lhes deu um rei segundo o coração do próprio Deus, Davi, e este formou uma dinastia que resistiu até o fim da nação, quando foi cativa para a Babilônia.

Israel falhou vergonhosamente em sua missão de ser o povo especial de Deus, através do qual Ele, Deus, se manifestaria à todas as nações. Embora Deus lhes tivesse dado leis e rituais para o relacionamento com Ele, a lei foi deturpada por aqueles que deviam zelar por ela, o povo procurou os deuses das nações vizinhas a quem podiam ver e a eles sacrificaram. Mais uma vez o projeto de Deus parece aos olhos humanos ter falido, mas Deus desde a eternidade tinha um projeto de filiação para o ser humano, Deus projetou antes mesmo de iniciar a criação que os homens se tornassem de criaturas em filhos seus, para que pudessem ter um relacionamento correto com Ele pela eternidade.

Por todo o antigo testamento, ou antigo pacto, temos profecias sobre uma Nova Aliança que Deus estabeleceria com a humanidade. Do Gênesis à Malaquias temos profecias sobre a vinda de alguém que assumiria o lugar da humanidade e a resgataria de sua escravidão ao pecado. Seria descendente da mulher e esmagaria a cabeça da serpente (satanás) e ele lhe feriria seu calcanhar, falando do sofrimento que seria produzido no ungido. Seria filho de uma virgem, chamar-se-ia Emanuel (Deus conosco), Nasceria na cidade de Belém, seria morto crucificado e ressurgiria!

Nos Evangelhos encontramos a biografia do ungido, temos narrativas de cumprimento das profecias e temos ainda os ensinos que o ungido, o messias, o Cristo, deixou para um grupo de seguidores ordenando a eles que fossem pelas nações (etnias) e lhes ensinassem aquilo que ele tinha lhes ensinado e, este grupo de discípulos que se multiplicariam até que se consumasse o projeto divino se chamaria IGREJA e seria edificada sobre ELE mesmo como a ROCHA, como a pedra angular!

No dia de Pentecoste, 50 dias após a ressurreição e apenas 10 dias após a ascensão de Jesus aos céus, de volta a seu lugar de origem, pois era o próprio Deus que se encarnou e viveu entre nós humanos, o Espirito Santo desceu sobre o grupo de discípulos que estavam orando e esperando por ELE na cidade de Jerusalém, seguindo ordens do próprio Jesus e, inaugurou a IGREJA. Naquele mesmo dia depois de uma mensagem pregada por Pedro, aproximadamente 2.000 pessoas se converteram ao cristianismo. Os convertidos em pentecoste eram de 11 nações (etnias) diferentes, embora fossem todos ou descendentes de judeus na diáspora ou prosélitos (gentios convertidos ao judaísmo).

Seguindo a ordem de Cristo, a IGREJA foi se espalhando gradativamente por toda a terra e crescendo numericamente, embora sofrendo uma perseguição horrível!

As Cartas dos Apóstolos: Paulo, Tiago, Pedro, Judas e João e os Evangelhos de Mateus, Marcos Lucas e João, são o que podemos chamar de livro texto do cristianismo, ou seja, nossa cartilha doutrinária.

O Cristianismo tem sua origem no Judaísmo que por sua vez tem sua origem na experiência de Abraão com Deus enquanto peregrino na terra que Deus lhe prometeu!

A Ética Cristã dos primeiros séculos depois de Cristo está definida no Novo Testamento, que por sua vez não exclui, mas complementa o Antigo Testamento. Assim a Bíblia é o código de moral e prática do cristianismo dos primeiros séculos.

Por volta dos anos 300dc aconteceu o primeiro grande cisma no cristianismo, dividindo-se em Católico Romano (ocidente) e Ortodoxos (oriente). A  igreja ocidental aos poucos foi introduzindo ritos e tradições que no século XV provocou o segundo grande cisma: A Reforma Protestante, que busca voltar ao texto bíblico e rejeita muitas tradições que haviam tomado tanta força que substituíram o texto bíblico. Os seguidores da Reforma Protestante com o passar dos anos se dividiram em diversos ramos que passaram a ser chamados de “denominações”, ou seja, micro doutrinas seguidas por aquele grupo. No final do Século XIX iniciou-se um novo ramo dentro do Protestantismo: O Pentecostalismo, na segunda metade do século XX mais um grande ramo surge, agora dentro do pentecostalismo, o chamado Neopentecostalíssimo, que vem crescendo e tomando vulto.

Neste século XXI com a relatividade tomando força entre todos os ramos culturais, o próprio cristianismo vem sofrendo um ataque sistêmico e insistente para que a Ética Moral Judaico-Cristã que vem permeando por todos estes séculos, seja relativizada e valores como: Pecado, Culpa, etc., sejam revistos, pois como tudo é relativo, assim o que é pecado para você não o é para mim!

Hoje, em 2015 ser cristão continua sendo: Ser um seguidor e aprendiz de Jesus de Nazaré, através do ensino dos apóstolos registrados na Bíblia!

Então continuamos tendo a Bíblia como nosso livro texto e, aquilo que ela conceitua como pecado é pecado ainda hoje!

Assim como no primeiro século o pecado deve ser rejeitado, arrependido e confessado!

Assim como no primeiro século o Sangue de Cristo é a solução para a purificação e santificação do pecador arrependido!

Assim como no primeiro século o pecado separa de Deus e condena a pessoa, se não arrepender-se ao inferno!

Assim como no primeiro século, nascer numa família cristã não lhe faz cristão, para se tornar cristão é preciso conscientemente crer na morte e ressurreição de Cristo e recebe-lo como Senhor para se tornar cristão!

Em Atos 15.28-29, dá um resumo do que seriam genericamente pecados: “Pois, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós (apóstolos) não vos impor encargo além destas coisas essenciais: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; (Adultério, Fornicação, Prostituição, bestialidade, homossexualidade, ou seja, toda relação sexual fora do casamento); destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde”. Em todo o Novo Testamento temos por várias vezes a citação de pecados, Todos eles continuam sendo pecados.

O Apostolo Paulo em Romanos 1.18-32 fala sobre a idolatria e depravação sexual que já naquele tempo, ou mesmo até antes, estava desgraçando os povos, e encerra sua fala dizendo que: “conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem!” nos ensinando que não devemos condescender com o pecado ou acha-lo normal!

Nos primeiros séculos a IGREJA foi perseguida tanto pelos judeus que a considerava uma seita separatista como pelo império romano que a considerava um perigo para sua hegemonia no mundo de então. Muitos cristãos morreram crucificados, queimados, ao fio da espada, comido por feras no coliseu, etc., por causa desta perseguição os cristãos procuravam viver o mais secretamente possível, reunindo-se em cavernas, catacumbas, etc., por isso criaram uma simbologia que os identificavam uns para com os outros, os dois mais conhecidos atualmente são o peixe (era feito nas catacumbas em Roma para indicar onde os cristãos se reuniam), e a cruz vazia (símbolo do Cristo Ressurreto).

A comunicação é feita de 3 elementos: Emissor, Símbolo-significado e Receptor.

Para que a comunicação seja efetiva o símbolo usado deve ter o mesmo significado para o emissor e receptor.

(Quando eu uso uma cruz vazia para mim estou afirmando que Cristo não está mais na cruz, ele ressuscitou. Quando outro cristão me vê ele recebe a mensagem: Cristo está vivo, não está mais na cruz, Ele ressuscitou!)

Quando eu uso um símbolo pensando em um significado que eu mesmo criei e que não é conhecido pelo receptor, a mensagem fica prejudicada, pois o receptor vai receber a mensagem que o símbolo significa para ele.

(Quando uso a combinação de cores do arco íris, afirmando como conhecedor da Bíblia de que este símbolo significa uma aliança de Deus com a humanidade de que não mais a destruirá com água [na verdade o símbolo da Aliança não é a combinação de cores, mas o arco-íris no céu], mas o meu receptor não conhece a Bíblia, mas sim o símbolo do movimento gay, ele entenderá que eu sou simpatizante da causa gay, e não importa o que eu [emissor] penso, mas o que ele [receptor] pensa).

Como pode um Cristão que conhece a Palavra de Deus e sabe que a homossexualidade é pecado, ser simpatizante da causa homossexual?

Como pode um Cristão conhecedor de que Deus condena não apenas o pecar, mas também o concordar com o pecado, assumir um posicionamento como este?

Como pode um cristão usar a combinação de cores do arco-íris sabendo que as pessoas que verem o identificará como simpatizante da causa gay?

Ser cristão no século XXI é o mesmo que era ser cristão no século I!

Ser Cristão no século XXI é ser seguidor de Cristo e seus ensinamentos!

Ser Cristão no Século XXI é aborrecer o pecado, mas amar o pecador e levar a ele o EVANGELHO do Cristo!

Naviraí-MS, 03 de Julho de 2015
Pr. Paulo Coura
Igreja Presbiteriana Renovada de Naviraí-MS
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